Márcia – Márcia EP

Publicado em Albuns às Julho 7, 2009 por João

Marcia

Márcia envolve-nos em oceanos de leveza, a sua voz é a brisa que nos toca e nos conduz no entardecer mais sublime e esplendoroso que possamos criar. As suas doces melodias são cores amenas e quentes, conjuntos e padrões imensos de vermelhos e laranjas invadindo os céus numa missão sacra de sarar. E é o bem-estar que mais podemos realçar, porque as suas palavras são de amor, porque nelas se transcrevem e se diluem as saudades da tua pele ou de um beijo teu, sejas tu a forma o cheiro e o sabor de quem nós desenharmos. Extraordinário é abandonar o resto e assistir à nossa entrega involuntária como autómatos programados aos nossos recantos, àqueles espaços longínquos e afastados pelas camadas grossas e sobrepostas da pele dos nossos corpos, esses que sempre sobrevivem ao isolamento. È uma fala íntima e transmite-se igual de pessoa em pessoa mas jamais a poderemos dissecar, ainda mais a língua porque é materna, é mais nossa, mais nos diz, porque mais nos toca.
Márcia é também ela a magia da simplicidade, da beleza e da nudez maior, a sua voz a sua guitarra as suas letras são assim como um copo de vinho rosado e aveludado, meros componentes que dão prazer e enaltecem o sabor da vida.


01. Reino Costa Azul
02. A Mentira
03. Um Passo
04. Ca me dit
05. Pele que ha em mim

Márcia MySpace

Márcia – Márcia EP

Placebo – Battle For The Sun

Publicado em Albuns às Junho 30, 2009 por João

placebo

A banda de Brain Molko regressa remodelada com novo baterista no seu sexto album de originais“ Battle For The Sun”. A sonoridade longe de outros tempos revela-se anímica de emoções, com um seguimento pouco melódico e guitarras pesadas. Sente-se a vontade de algo mais mas ao longo das primeiras faixas peca a presença ao ouvido. Preferível pensamos, será então suavizar a desilusão com a grandiosidade de álbuns anteriores como “Without you i’m nothing” ou mesmo “Black Market Music “, contudo e para lá do single de apresentação que após algumas audições passa de energizante a irritante, surge talvez a relíquia escondida em todo o álbum que o valoriza certamente. “Come Undone” é sem duvida uma marca registada de outros tempos e faz descansar as almas mais desconsoladas que afinal o espírito da banda ainda existe e apenas vagueia adormecido. À medida que o álbum termina as músicas vão-se tornando mais próximas e o álbum ganha assim mais vida. Destaque para “Bright Lights”, “Happy You’re Gone” e “Kings of Medicine”.


01. Kitty Litter                         07. Speak In Tongues
02. Ashtray Heart                   08. The Never-Ending Why
03. Battle For The Sun            09. Julien
04. For What It’s Worth           10. Happy You're Gone
05. Devil In The Details         11. Breathe Underwater
06. Bright Lights                     12. Come Undone
                                                 13. Kings Of Medicine

6/10

Placebo
Placebo Space

Battle For The Sun
Pass: placebo

Scott Matthew – Little Bird

Publicado em Letras, Videos às Junho 18, 2009 por João


Little bird on the high wire
wish you would content to offend
peck a kiss upon my shoulder
leave a mark, and make me better

if you take half your most
i swear to you
i will cut my past
habits, and the end
i’d never start

and i
am absolutely sure
i’m all yours

happy songs, they’ve work for some
if i’m not wrong, this is my first one
now that i have stopped my crying
peck a kiss upon this smile

i am absolutely true
i love you
i love you

Scott Matthew

Fuck Buddies – Children

Publicado em Albuns às Junho 5, 2009 por João

fuckbuddies

Children é o sabor que se adquire por teimosia ou pelo acaso de uma circunstância, um descuido para repetição, aquela que desperta a atenção para as teclas soltas de um piano e para a voz que se ergue em timbre certo. As palavras então pouco importam bastando o seguimento melódico e adormecido que abunda e nos preenche numa tranquilidade excepcional.

Destaque para Past Tense. Ver video

Fuck Buddies é um projecto do cantautor francês Sébastien Duclos que em 2008 produz Children juntamente com a pianista Tutu Clash e a editora independente Dead Bees.


01. Pussies and Fags
02. Cops
03. Song for People Who Sing in Bars
04. Mr Wood
05. Stumble
06. Trainwreck
07. Past Tense

7/10

Myspace
Download Album: Fuck Buddies – Children

Sons #4

Publicado em Sons # às Maio 27, 2009 por João

galaxia

O convite será não mais que a pausa celestial, um pedido momentâneo de trégua ao mundo e ao frenético correr dos dias, como prenunciar que se vai ali e já se vem, porém não se regressará nunca igual. Cientes das burocracias de tal e invulgar solicitação partimos à ilegalidade e esgueiramo-nos à socapa até ao quarto onde a porta se fecha e a chave roda. Nele fechamos as janelas, as colunas preparam os graves e os agudos das suas bocas, as sapatilhas e tudo o que é mais supérfluo e nos faz sentir pesados é simplesmente atirado para um canto, depois e em passos sensuais porque somos sempre mais belos quando somos mais leves escolhemos o som devido, como droga que alucina, embebede e dá prazer. Deslocamo-nos então até ao espaço, o chão já vibra aos nossos pés, o leito nosso é quente e macio é casa e mãe, caímos como uma estrela em cima da cama e de braços e pernas abertas fechamos os olhos e partimos rumo às galáxias.

30 minutos, não mais, para desfrutar e quem sabe descobrir novos planetas, outras formas de vida, não há limites…!


1. Friends of dean Martinez - Lost Horizon – Somewhere Over The Waves
2. Low – Long Division – Caroline
3. Low – Secret Name – Immune
4. Explosions In The Sky – Friday Night Lights Soundtrack -Your Hand In Mine
5. Logh - Every Time A Bell Rings, An Angel Gets His Wings – In Cold Blood
6. Explosions In The Sky – Friday Night Lights Soundtrack – Your Hand In MineII
7. Low – Drums and guns – Murderer
8. Friends of dean Martinez – Lost Horizon – All In The Golden Afternoon

04Download sons #4

Antony And The Johnsons Ao Vivo No Coliseu Do Porto

Publicado em Concertos às Maio 21, 2009 por João

Antony

Antony and the Johnsons encheram na passada segunda-feira o coliseu do Porto com o seu mais recente trabalho “The Crying Light”. Numa sala tímida de luz surgiu uma ave de silhueta indefinida com duas longas asas batendo e esvoaçando síncronas do ruído que se fazia. Incómoda e estranha a simbólica introdução dava a certeza que o espectáculo seria tudo menos vulgar e impessoal. Nos momentos seguintes sentiu-se a presença dos músicos e o concerto começava entre a entusiasmada reacção do publico e a voz peculiar de Antony rasgando e inundando todo o Coliseu com uma claridade e uma força extrema de preenchimento único. A complexidade da banda era notória com violinos, saxofone, guitarra acústica, guitarra eléctrica, piano e bateria como se fosse uma pequena orquestra muito bem oleada e preparada para as várias paragens e improvisos de Antony. O vocalista e pianista não deixou de lado os seus dotes humorísticos, interagindo sempre com o publico quis saber como estavam os seus fãs e como estava a cidade, mostrou a sua preocupação com o ambiente e o excesso de confiança depositado em Obama, apelou à esperança de um mundo melhor e discursou sobre a sua visão da religião e de um Deus no feminino, no fim ainda recebeu uma proposta para se casar mas lisonjeado rejeitou defendendo-se que era um péssimo cozinheiro.
Entre os momentos de maior descontracção ouviram-se canções tão intimistas como “You Are My Sister” , “Twilight” ou o belíssimo “Hope Mountain” para ainda realçar o infindável “Fistful of Love” com vários fins, recomeços e muitos improvisos. “Aeon” foi o prenúncio da despedida e o publico de pé de palmas ao rubro assobios vibrantes e o tremor já habitual das galerias superiores a bater o pé no chão, fizeram regressar a banda que já nos esperava e esta saudou-nos com “Cripple and the Starfish” e deixou-nos a beleza irrepreensível da voz inconfundível de Antony, essa que é decomposta em doçura e dor, falo claro de “Hope There’s Someone”. Fim do concerto!


Alinhamento:
1.Where Is My Power                            11.I Fell in Love With a Dead Boy
2.Her Eyes Are Underneath the Ground   12.Fistful of Love
3.Epilepsy Is Dancing                           13.You Are My Sister
4.One Dove                                        14.Hope Mountain
5.For Today I Am a Boy                        15.Twilight
6.Kiss My Name                                   16.Aeon
7.Everglade
8.Another World                                        = Encore =
9.Shake That Devil                               17.Cripple and the Starfish
10.The Crying Light                              18.Hope There's Someone

Antony and the Johnsons

Old Jerusalem – Two birds blessing

Publicado em Albuns às Maio 20, 2009 por João

OldJerusalem

Francisco Silva é o criador de uma velha cidade de nome místico e religioso mas desprendido de qualquer sentido divino. Dela apenas absorveu a luz e a sombra sobre as casas de tijolo e cal, descreveu imagens dos cheiros e do odor da terra árida, do vento balouçando nos tecidos e nas gentes de um lugar nenhum. O nome do projecto é Old Jerusalém e tudo e nada se relaciona com as musicas e as palavras que nos envolve, o primeiro por ser velho transporta o aconchego e o encontro do acústico, da melodia mais caseira e melancólica, depois Jerusalém recorda-nos a mística, a fé e o acto religioso como instrumento essencial à construção do íntimo e com ele se escrevem ideais e se convidam todos aqueles que sobejam doçura maior.

Em Abril de 2009 Francisco lança o seu quarto álbum intitulado ”Two birds blessing” com o single “Arduinna And The Science Boy” a invadir as rádios e a critica de entusiasmo. O resultado é um conjunto de agradáveis canções sempre acompanhadas por uma voz límpida e suave onde as letras robustas dão sustento ao gosto de um todo bem conseguido.


1. Arduinna and the science boy
2. The gene genie
3. Seventh day, dawn
4. Ominous prayer
5. Pale mirror of you
6. Restless choose leaving
7. The news bit
8. The soviet face
9. The guilt albatross
10. Two birds blessing
11. You, you & me, me

7/10


Old Jerusalém

Old Jerusalem – Two birds blessing.zip

Little Joy – Little Joy

Publicado em Albuns às Abril 29, 2009 por João

little-joy

Tudo teve inicio no festival Lisboa Sounds em 2006 onde Los Hermanos abriram o palco para os The Strokes. Amarante cantor e compositor da banda brasileira travou conhecimento e afinidades musicais com Moretti baterista dos Strokes e juntos divertiram-se com a ideia de um projecto a dois. Enquanto a noite decorria as ideias foram crescendo e a distância desaparecendo, por fim na manha seguinte restou um desejo mútuo e ao pé do Tejo nasceu o bichinho que os perseguiria até um ano mais tarde se encontrarem na Califórnia para então trabalharem juntos.

A sonoridade é indiscutivelmente particular e sabe a Strokes com bossa nova regado aqui e ali com sotaque canarinho. O resultado é simplesmente fascinante e surge um álbum difícil de catalogar entre o rock e o country, as letras são doces e as vozes brandura. Destaque para o belíssimo “unattainable”, o suave “shoulder to shoulder” ou ainda o energético “the next time around”. Lilte Joy termina com “evaporar” talvez um dos temas mais bonitos pela sua simplicidade e todo o seu significado, o fim é sempre o desaguar do tempo, de nós que corremos e deixamos todas as coisas que ficam sempre no mesmo lugar, sejam elas materiais ou somente parte de nós…


1. The Next Time Around
2. Brand New Start
3. Play the Part
4. No One’s Better Sake
5. Unattainable
6. Shoulder to Shoulder
7. With Strangers
8. Keep Me in Mind
9. How to Hang a Warhol
10. Don’t Watch Me Dancing
11. Evaporar

9/10

Little Joy

Download: Little Joy – Little Joy

Bon Iver – For Emma, Forever Ago

Publicado em Albuns, Letras, Videos às Abril 2, 2009 por João

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Bon Iver oferece-nos um diário preciso de pensamentos e experiencias revividas no isolamento, o seu nome significa “bom inverno” e se o foi ao certo nunca o saberemos, duvidamos talvez, porém o resultado foi brilhante e caloroso. E se no viver de um desgosto, de uma perda, de um hesitar de sentido, de rumo, do encontrar o caminho obstruído e não saber o que fazer, como voltar à estrada, como reerguer as paredes e construir uma nova casa? E se vos disser que há uma forma, um lugar, uma paisagem esquecida nos bosques frios do estado Wisconsin na América, imaginem-se agora no pico do inverno rodeados de árvores e a viverem durante três meses sozinhos e isolados do mundo numa pequena casa de madeira. A imagem por si sugere a reflexão a quietude que buscamos para dentro, a rota para adoçar e sarar as feridas que ficam e as outras que nos deixaram. Imaginem agora transformar todos os nossos desejos, receios, sonhos, pensamentos e sentimentos em música. Como seria o som dos dias lentos, do deslizar do sol nas tardes douradas e frias, como soariam as noites ao calor da luz amena e ao crepitar da lareira, como seria a voz que chamaria por quem já não volta, por quem não se esquece, como seriam as palavras que deslizariam sobre as folhas brancas e macias? For Emma, Forever Ago é a reposta onde a simplicidade, a intimidade, a proximidade das palavras, a voz rouca e carregada de sentimento nos remetem para um mundo demasiado pessoal, demasiado exposto e que pode incomodar ao primeiro toque tornando-o ainda mais precioso. Um álbum possante de uma beleza irrepreensível, terno e deslumbrante, um instrumento vital que se une ao peito sempre que é preciso hibernar.


1. FlumeLetraVideo
2. Lump Sum
3. Skinny LoveLetra
4. Wolves (Act I And II)
5. Blindsided
6. Creature Fear
7. Team
8. For EmmaLetra
9. Re:StacksLetra

10/10

Bom Iver

Bom Iver Space

Silje Nes – Ames Room

Publicado em Albuns às Abril 1, 2009 por João

silje-nes

Silje é uma multi-instrumentista cantora e compositora Norueguesa, possui uma sonoridade bastante caseira transmitindo por vezes a ideia de abstracção à própria musica como se os sons fossem meros frutos de uma qualquer actividade quotidiana. Acima de tudo sente-se o cheiro a casa, ao ameno interior, à paz e ao bem-estar, ao sentido despreocupado e sem estética, ao deambular pelos compartimentos em meias coloridas e às riscas, aos pijamas e às danças desmedidas, à sensação de conforto e de extrema liberdade. Às pausas sobre a cama, ao saborear da luz que adorna o quarto, à sombra na cozinha e à taça dos cereais, às flores, ao cheiro a velas, ao cheiro a café, ao calor e ao toque de veludo. Tudo isto não surge ao acaso e cada descrição é pouco para explicar a genuidade de álbum assim. Deixando as faixas rodarem enquanto deambulamos pelas nossas casas chegará sem grande surpresa a percepção da união entre dois mundos, chegará a altura em que os silvos e os cliques se confundirão com a colher batendo na taça ou com o trautear de uma melodia nossa de momento. Talvez porque tudo isto tenha surgido assim, entre um simples pequeno-almoço e uma tarde sem muito a fazer. Silje fantasiou aos músicos, juntou um pequeno portátil um microfone e assim foi misturando e criando, descobrindo padrões e tonalidades sonoras. Ao seu gosto e sem demais convenções musicais juntou lentamente outros instrumentos, a guitarra, o piano, o violoncelo, a percussão e tudo mais que pode encontrar, no fim soltou da sua boca a textura divina e na voz abraçou o ruído e a melodia em algo maior, mais próximo e tão familiar.

Destaque para : Shapes Electric, Ames Room e Bright Night Morning

6/10

Silje Nes

Dowload: Silje Nes – Ames Room