Bon Iver oferece-nos um diário preciso de pensamentos e experiencias revividas no isolamento, o seu nome significa “bom inverno” e se o foi ao certo nunca o saberemos, duvidamos talvez, porém o resultado foi brilhante e caloroso. E se no viver de um desgosto, de uma perda, de um hesitar de sentido, de rumo, do encontrar o caminho obstruído e não saber o que fazer, como voltar à estrada, como reerguer as paredes e construir uma nova casa? E se vos disser que há uma forma, um lugar, uma paisagem esquecida nos bosques frios do estado Wisconsin na América, imaginem-se agora no pico do inverno rodeados de árvores e a viverem durante três meses sozinhos e isolados do mundo numa pequena casa de madeira. A imagem por si sugere a reflexão a quietude que buscamos para dentro, a rota para adoçar e sarar as feridas que ficam e as outras que nos deixaram. Imaginem agora transformar todos os nossos desejos, receios, sonhos, pensamentos e sentimentos em música. Como seria o som dos dias lentos, do deslizar do sol nas tardes douradas e frias, como soariam as noites ao calor da luz amena e ao crepitar da lareira, como seria a voz que chamaria por quem já não volta, por quem não se esquece, como seriam as palavras que deslizariam sobre as folhas brancas e macias? For Emma, Forever Ago é a reposta onde a simplicidade, a intimidade, a proximidade das palavras, a voz rouca e carregada de sentimento nos remetem para um mundo demasiado pessoal, demasiado exposto e que pode incomodar ao primeiro toque tornando-o ainda mais precioso. Um álbum possante de uma beleza irrepreensível, terno e deslumbrante, um instrumento vital que se une ao peito sempre que é preciso hibernar.
Posted in Letras, Videos on Dezembro 3, 2008 by João
Lost in a daydream of blue
And I feel so free
And then It’s like I fall from the sky
Everything that I see is you
And you should know that I’m
Thinking about what you said
When you held my hand
Oh I adore you
Now we are older and
Things disappeared somehow
And I was thinking that maybe
We’d stand a better chance If we met today
I find myself talking to sharks
On my way to an island and still
I adore you
I adore you
I adore you
I was young I was old
And we were in we were out
I wanna see I wanna see it all
I wanna die I wanna die
Sweetheart sweetheart
I thought I saw I thought I saw a light
See it now see it now
Posted in Albuns, Letras on Outubro 23, 2008 by João
Ao início o Pastor interrogava-se porque apenas falavam um com o outro, demorou algum tempo até compreender. Eles não conseguiam ver ou ouvir mais ninguém. Observou calmo o comportamento infantil e então percebeu, eram duas pequenas crianças presas num corpo de adultos.
Para a rapariga disse: tu és a senhora
Para o rapaz disse: tu és um pássaro mas não podes voar!
Eles sabiam da presença de outras pessoas e conheciam o sol, conseguiam ver o Pastor mas não sabiam que ele vinha de outro lugar…
Lady & Bird é um projecto entre dois amigos, a cantora israelita Keren Ann e o islandês Bardi Jhannsson do grupo Bang Gang, que se juntaram para criar e nos oferecer um álbum apaixonado e único de pequenas melodias. Alguns temas já existiam, como Stephanie Says, dos Velvet Underground ou Suicide is Painless que a doçura das vozes de Karen e Bardi as revisitaram e reenvolveram de magia. O álbum é todo ele uma bela e melancólica história de encantar, um livro que dá vontade de guardar para oferecer ao mundo de presente.
O fim culmina com “La Ballade Of Lady And Bird” onde juntos experimentam em vão chamar atenção dos adultos. Sem a consciência de não se fazerem ouvir decidem saltar de uma ponte, inocentes de que não conseguiam ver ninguém…um salto infantil…no fundo tudo está na nossa cabeça…será bom ou será mau, é um sentimento tão gelado…ou arrebatador e belo?
A luz do dia despede-se lentamente, deixa no céu o rasto das minhas lágrimas e no horizonte é possível já sentir a saudade que hoje me deixas. Rodo a chave, bato a porta, a casa está em silêncio, caminho até ao quarto e o ranger dos meus passos ecoam em mim, estranho desligado e sem sentido. Anos passaram e nunca me apercebi, sempre senti presenças, sons e vozes, criei planos e datas marcadas, percorri sonhos que me faziam viver e apesar de sempre viver sozinho, nunca aqui senti a falta de ninguém. Pouso o casaco sobre a cadeira e descalço fatigado os desconfortáveis mas estéticos sapatos que diariamente recuso calçar. O quarto. Por de trás da cortina uma névoa de luz adoça creme e ténue o que trago dentro de mim, ao lado a viola salta amiga para o peito e deitado sobre a cama toco e chamo baixinho por ti. Não me ouves, sei que nunca me vais ouvir e a cada acorde a minha mão desliza, como se as cordas fossem o teu rosto e nele a tua pele macia, como se ainda te pudesse tocar e sentir, como se o teu perfume fosse ainda o mesmo, como se a tua voz ainda fosse o som mais bonito que ouvi, como se os teus braços ainda se estendessem únicos para mim, como se ainda estivesses aqui.