Tudo teve inicio no festival Lisboa Sounds em 2006 onde Los Hermanos abriram o palco para os The Strokes. Amarante cantor e compositor da banda brasileira travou conhecimento e afinidades musicais com Moretti baterista dos Strokes e juntos divertiram-se com a ideia de um projecto a dois. Enquanto a noite decorria as ideias foram crescendo e a distância desaparecendo, por fim na manha seguinte restou um desejo mútuo e ao pé do Tejo nasceu o bichinho que os perseguiria até um ano mais tarde se encontrarem na Califórnia para então trabalharem juntos.
A sonoridade é indiscutivelmente particular e sabe a Strokes com bossa nova regado aqui e ali com sotaque canarinho. O resultado é simplesmente fascinante e surge um álbum difícil de catalogar entre o rock e o country, as letras são doces e as vozes brandura. Destaque para o belíssimo “unattainable”, o suave “shoulder to shoulder” ou ainda o energético “the next time around”. Lilte Joy termina com “evaporar” talvez um dos temas mais bonitos pela sua simplicidade e todo o seu significado, o fim é sempre o desaguar do tempo, de nós que corremos e deixamos todas as coisas que ficam sempre no mesmo lugar, sejam elas materiais ou somente parte de nós…
1. The Next Time Around
2. Brand New Start
3. Play the Part
4. No One’s Better Sake
5. Unattainable
6. Shoulder to Shoulder
7. With Strangers
8. Keep Me in Mind
9. How to Hang a Warhol
10. Don’t Watch Me Dancing
11. Evaporar
Bon Iver oferece-nos um diário preciso de pensamentos e experiencias revividas no isolamento, o seu nome significa “bom inverno” e se o foi ao certo nunca o saberemos, duvidamos talvez, porém o resultado foi brilhante e caloroso. E se no viver de um desgosto, de uma perda, de um hesitar de sentido, de rumo, do encontrar o caminho obstruído e não saber o que fazer, como voltar à estrada, como reerguer as paredes e construir uma nova casa? E se vos disser que há uma forma, um lugar, uma paisagem esquecida nos bosques frios do estado Wisconsin na América, imaginem-se agora no pico do inverno rodeados de árvores e a viverem durante três meses sozinhos e isolados do mundo numa pequena casa de madeira. A imagem por si sugere a reflexão a quietude que buscamos para dentro, a rota para adoçar e sarar as feridas que ficam e as outras que nos deixaram. Imaginem agora transformar todos os nossos desejos, receios, sonhos, pensamentos e sentimentos em música. Como seria o som dos dias lentos, do deslizar do sol nas tardes douradas e frias, como soariam as noites ao calor da luz amena e ao crepitar da lareira, como seria a voz que chamaria por quem já não volta, por quem não se esquece, como seriam as palavras que deslizariam sobre as folhas brancas e macias? For Emma, Forever Ago é a reposta onde a simplicidade, a intimidade, a proximidade das palavras, a voz rouca e carregada de sentimento nos remetem para um mundo demasiado pessoal, demasiado exposto e que pode incomodar ao primeiro toque tornando-o ainda mais precioso. Um álbum possante de uma beleza irrepreensível, terno e deslumbrante, um instrumento vital que se une ao peito sempre que é preciso hibernar.
Silje é uma multi-instrumentista cantora e compositora Norueguesa, possui uma sonoridade bastante caseira transmitindo por vezes a ideia de abstracção à própria musica como se os sons fossem meros frutos de uma qualquer actividade quotidiana. Acima de tudo sente-se o cheiro a casa, ao ameno interior, à paz e ao bem-estar, ao sentido despreocupado e sem estética, ao deambular pelos compartimentos em meias coloridas e às riscas, aos pijamas e às danças desmedidas, à sensação de conforto e de extrema liberdade. Às pausas sobre a cama, ao saborear da luz que adorna o quarto, à sombra na cozinha e à taça dos cereais, às flores, ao cheiro a velas, ao cheiro a café, ao calor e ao toque de veludo. Tudo isto não surge ao acaso e cada descrição é pouco para explicar a genuidade de álbum assim. Deixando as faixas rodarem enquanto deambulamos pelas nossas casas chegará sem grande surpresa a percepção da união entre dois mundos, chegará a altura em que os silvos e os cliques se confundirão com a colher batendo na taça ou com o trautear de uma melodia nossa de momento. Talvez porque tudo isto tenha surgido assim, entre um simples pequeno-almoço e uma tarde sem muito a fazer. Silje fantasiou aos músicos, juntou um pequeno portátil um microfone e assim foi misturando e criando, descobrindo padrões e tonalidades sonoras. Ao seu gosto e sem demais convenções musicais juntou lentamente outros instrumentos, a guitarra, o piano, o violoncelo, a percussão e tudo mais que pode encontrar, no fim soltou da sua boca a textura divina e na voz abraçou o ruído e a melodia em algo maior, mais próximo e tão familiar.
Destaque para : Shapes Electric, Ames Room e Bright Night Morning
Ao entrar na estação tudo lhe pareceu surpreendentemente vazio e no rolar das escadas desceu sozinho a ritmo constante e maçador. O tilintar dos degraus era o tom mais audível seguido dos seus passos sobre o pavimento ecoando seca e pacatamente até ao cruzar da arena central da grande gare. O olhar de estupefacção percorreu-lhe a cara e uma expressão de incredibilidade formou-se seguida de um sorriso malicioso de quem acerta na sorte e se torna senhor dono do bilhete premiado. Hoje a viagem será um tiro, pensou! Procurou o relógio na parede da estação ,está parado não funciona, infesta em silencio e de rompante ” incompetentes dum raio estação sem relógio onde já se viu!!”, busca então o relógio pessoal confirma a hora o passe a linha o suburbano tudo a feição, resta picar e partir. O deslizar do papel sobre o feixe magnético solta o pânico quando no mesmo papel surge escrito “35min para o fim”, passa aflito o dedo mas a marca não sai, confuso entra a correr na carruagem e ao sentar-se observa da janela que os grandes ponteiros do relógio inanimado haviam-se deslocado e partindo do 7 moviam-se agora em sentido contrário na direcção do 12. Sôfrego de loucura e num quase estado taquicardíaco eleva as mãos ao cabelo e grita procurando alguém mas o expresso é só dele, tenta sair mas as portas encontram-se já seladas e num gesto de renúncia volta e encara de peito feito a placa informativa onde pisca obstinada a contagem decrescente 00:30. Treme o solo falha o equilibro, dois passos para trás e ouve-se ensurdecedor o suburbano elevar-se do chão e dos propulsores sai violento o vapor azul que o dispara para o mundo das sensações!
Sons #3. Boa viagem. Sparklehorse – Dreamt For Light Years In the… – Knives of Summertime Flaming Lips – The Soft Bulletin – Waitin’ For A Superman
Sparklehorse – Vivadixies. – Someday I Will Treat You Good The Radio Dept. – Lesser Matters – Where Damage Isn’t Already Done Whitest Boy Alive – Dreams – Burning Bloc Party- Silent Alarm – Banquet The Walkmen – Bows & Arrows – The Rat Placebo – Once More With Feelings – The Bitter End The Strokes – First Impressions Of Earth – You Only Live Once Pajo – 1968 – Prescription Blues
Barzin acordou e descobriu-se numa casa estranha, em redor o espaço era estético e preenchido de sossego, sentiu-se distante de si próprio e na fracção seguinte soube ao que vinha, o lugar sorriu-lhe um esgar amargo do recanto onde se esquece quem não queremos ver partir, o reflexo do fogo no castanho-escuro longo e liso cabelo de mulher. Assim como se prepara um inverno rigoroso ou uma viagem extensa e solitária por lugares inóspitos estuda-se o corpo e educa-se a mente, escolhe-se minuciosamente os artefactos e os sustentos para o aconchego. Lenta a melancolia chega ao sangue e não há deus onde apenas ela persiste, deambulando nas luzes das várias cidades que se amontoam umas atrás das outras a recordação é simplesmente uma e o destino continua igual, o reencontro, o mesmo olhar de mel. Dá-se lugar à introspecção abrem-se as portas às palavras e à confissão, é sempre ela, todos partiram só ela resiste, escrevem-se livros e odisseias, constroem-se caravelas de velas robustas e altivas cheias de esperança e bem-aventurança mas que jamais partirão do porto, jamais ousarão balançar sobre o sal dos mares, dobram-se então as folhas, guardam-se então as cartas.
O verão conduz a ilusão e noutros rostos suaves Barzin roga que o levem para longe, longe de uma rapariga que costumava conhecer, segurando antigas cartas descobre que já não distingue a voz adocicada, interroga-se se continuará a mesma, se ela ainda acorda cedo para escrever poemas, deseja forte que o transportem para longe, mais longe ainda, rostos indistintos suaves de verão.
Errante vê-se perdido dentro de uma canção, a moradia arrastada de um bastardo coração levado pelo fogo de um amor fugidio, terá Barzin se perdido ele próprio enfeitiçado na eternidade pelo fogo e os olhos de mel? Tudo o que sabemos é que esse amor preenche a ausencia e todo ele é a razão da sua voz, da sua musica!
Come back home Suzanne
Come and make it okay
Agradecemos o derramar melodioso e deslumbrante que este amor nos ofereceu…
1 Nobody Told Me
2 Words Tangled in Blue
3 Soft Summer Girls
4 Queen Jane
5 When It Falls Apart
6 Lost
7 Stayed Too Long In This Place
8 Look What Love Has Turned Us Into
9 The Dream Song
O cheiro da terra húmida após uma trovoada de verão, o ranger de uma bicicleta enferrujada, um baloiço que dança sozinho no parque, o sorriso de uma criança e o seu comboio de brincar, o doce crepitar de um disco de vinil…
Bosques de mi Mente é um projecto do músico e compositor espanhol Nacho que por meados de 2007 decide enveredar-se por um caminho solitário numa tentativa de reflectir na sua música inquietações e sentimentos mais íntimos. Partindo em viagem às reminiscências de uma infância feliz mas porém esquecida surgem apenas os fragmentos das recordações onde o músico aproveita e os explora através de conceitos minimalistas como a repetição o tempo o silencio o ruído, a pausa o ambiente e a melodia.
Lo-Fi é portanto uma tentativa de transmissão de todas essas vontades sensações e sentimentos expostos ora á claridade imaculada de um piano delicado, ora escondidas sobre um fundo saltitante de estalidos e cenários estranhos, de vozes e sons longínquos mas etéreos.
O álbum contém ainda mensagens para todo um mundo, a lembrança de uma humanidade que se esquece por vezes de si própria, dedica-se ” paseo 2 verano” a todas a vitimas dos bombardeamentos nucleares de Hiroshima e Nagasaki ,e “los titanicos esfuerzos” a todas as coisas que se recusam serem consideradas como inúteis, talvez alguns valores mais importantes como a paz o amor e o perdão tantas vezes abandonados…
Nacho considera ainda a música como uma arte, uma expressão subjectiva da realidade que enriquece todos aqueles que a ouvem e como tal deve estar acessível a todos. A sua musica pode ser copiada partilhada e distribuída.
Explosão. Inicio e fim, a morte e a vida, talvez a pausa e também o movimento não descuidando porém o ar que chega e parte em seguida, os meros projecteis lançados de um vaco inerte onde acorrem velozes sobre as forças físicas criando o tempo e com ele o espaço, o nascimento da poeira estelar que se agrupa, que se aglomera aos poucos como um acto reservado pensado e engenhoso, a escolha perfeita dos fragmentos resultantes do caos, do corpo que se extingue construímos em esplendor um novo universo, um novo ser!
Sons 2 chega e de olhos cerrados e punhos ferrados abraçamos loucos e ávidos cada nervo cada impulso, e não contendo mais para dentro a carga pronta vibra inquieta e explodimos de seguida por entre exultações de lágrimas e risos numa volúpia viril e extrema de vida!
Para ouvir sem deixar de sentir.
Alinhamento:
David Beans – The Loss and Recovery E.P. – Remorse, meet Recovery
M83 – Before the Dawn Heals Us – Farewell Goodbye
Aarktica – Or You Could Just Go Through Your Whole Life – aura lee
Mum – Summer Make Good – Nightly Cares
On Travel – Remove Your Head From That Lonely Crown – Outro
Alt-Ctrl-Sleep – Alt-Ctrl-Sleep – Kandy
Nathaniel Méchaly – Si J’étais Toi – K-Trip
Caspian – You Are The Conductor – Last Rites
Son Lux – At War With Walls & Mazes – Tell
Posted in Letras, Videos on Dezembro 3, 2008 by João
Lost in a daydream of blue
And I feel so free
And then It’s like I fall from the sky
Everything that I see is you
And you should know that I’m
Thinking about what you said
When you held my hand
Oh I adore you
Now we are older and
Things disappeared somehow
And I was thinking that maybe
We’d stand a better chance If we met today
I find myself talking to sharks
On my way to an island and still
I adore you
I adore you
I adore you
I was young I was old
And we were in we were out
I wanna see I wanna see it all
I wanna die I wanna die
Sweetheart sweetheart
I thought I saw I thought I saw a light
See it now see it now
Apagaram-se as luzes e os anjos do universo desceram para nos tocar… e tocaram … tocaram cerca de duas horas, intensas e inesquecíveis num terceiro regresso a Portugal. O local do ritual estava definido, seria um grande campo pequeno onde os fieis acorreriam ordenados e em filas nervosos, saltitando livre o murmurinho impossível de esconder, ansiosos seguidores da obra pela entrada no templo sagrado e efémero. Passo após passo a multidão entrou e uniu-se no invólucro, e num casulo de pura adoração fomos o aconchego uníssono e sonoro, mudo e deslumbrado, fizemos nascer e vimos voar a mais bela e magnifica borboleta. As tonalidades eram sorrisos e arrepios de espinha e sobrevoaram imperiosas sobre as cabeças, acompanhadas sempre pelo bater arrebatador e idílico das suas asas aos nossos ouvidos.Por fim o silencio e a escuridão, sobre o palco o nevoeiro deu lugar a um sabor distante e a quietude das nuvens criou a atmosfera perfeita para um bom começo … Azul … Roxo … Amarelo … Verde … e de novo o Azul … Svefn g englar iniciava-se e o concerto começava! Seguiriam-se passagens pelos diversos álbuns, partindo de Ágaetis Byrjun recordou-se Ny Batteri como uma viagem a um mundo estranho e não definido, sujo, áspero e brutalmente intenso, bebeu-se como uma droga que transporta-nos para um outro qualquer lugar, diferente de todo o resto, e da confusão gerada surge Fljótavik , simples e suave, a voz calma que adoça e carrega de ternura os ouvidos e as mãos. Við spilum endalaust chega e traz o ar fresco e a luz da manha, a esperança e dez centímetros acima do chão.Levitamos rendidos e em Hoppípolla soltaram-se balões coloridos que não prendemos mas sim nos desprendemos com eles rarefeitos de alegria. Seguiram-se recuos e avanços no tempo, relembramos o extraordinário untitled, perfeito, um dialecto sonoro criado para envolver e apenas nos fazer sentir, E-bow foi simplesmente inesquecível. No presente ainda assistimos a Festival e ao lalalala de Gobbledigook e do céu coberto com vigas de madeira e vidro baço choveram gotas de papéis, quadrados e rectângulos, círculos e corações coloridos deslizando mágicos sobre olhos e aterrando como flocos de neve entre os nossos cabelos.
Fim do concerto.
Choque, não…queremos mais…muito mais… e eles voltaram e tocaram “All Alright” e tudo voltou a ficar bem, resolvido o sobressalto levantamos a cera e deslacramos o corpo, o pouco que ainda havia para expor e deixar sentir saiu e Glósóli e Popplagið foram apenas o testemunho passado de uma noite perfeita!
As palmas, os pés a bater no chão, o vibrar da plateia, os assobios, os gritos, as palavras de satisfação, não couberam em agradecimentos…e fomos também nós agradecidos pela fé na seita e como soube bem ouvir chamar o rebanho nosso, o preferido!
Fim.